Governador descarta privatizar Cagepa: “dá resultados e investe em serviços cada vez melhores”

O governador da Paraíba, João Azevêdo, descartou a privatização da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), mesmo diante do projeto de desestatização do Governo Federal. A declaração foi dada em entrevista à rádio Band News FM, nesta sexta-feira (12). Azevedo também destacou o projeto de universalização do saneamento para quatro municípios e rejeitou disputa por obra do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Campina Grande.

João explicou que a Paraíba se enquadra, atualmente, no rating de capacidade de pagamento “B”, ou seja, não corre o risco de ser induzida a entregar estatais em troca de financiamentos do Governo Federal. O rating é uma das variáveis para a concessão de aval pelo Tesouro. Estando classificado como A ou B, o Estado pode obter garantia da União para novos empréstimos.

“Muito se fala atualmente sobre o projeto de desestatização do saneamento básico. Mas, nós temos uma companhia como a Cagepa que hoje é superavitária, que dá resultados, que investe em serviços cada vez melhores no Estado. Então, qual seria o interesse do governo em privatizar uma companhia como essa? Nenhum. Não vamos privatizar companhias na Paraíba que prestam um bom serviço. E também acredito que não vai ser uma solução pro País vender todas as nossas estatais”, argumentou.

Na entrevista, o governador também ressaltou os contratos em andamento para iniciar as obras de cobertura total de esgotamento sanitário nos municípios de João Pessoa, Bayeux, Cabedelo e Santa Rita. “Estamos trabalhando em alguns convênios com a Caixa Econômica Federal e colocamos dentro de um empréstimo de US$ 127 milhões junto ao Banco Mundial a universalização do sistema de esgotamento sanitário desses quatro municípios. A Paraíba tem uma boa cobertura de saneamento nas grandes cidades, mas precisamos avançar. Importante salientar que o financiamento com o Banco Mundial já está em reta final de aprovação”, afirmou.

“Não vou fazer disputa pequena” – Questionado sobre quem seria o responsável pelo projeto para a implantação do VLT em Campina Grande, João Azevedo disse que não há celeuma em relação a isso e assegurou que não está preocupado em disputar a execução da obra. Para ele, o que importa é que, de fato, a obra seja feita e a população seja beneficiada.

Ele revelou que o prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues (PSD) ligou para o presidente Bolsonaro e pediu que o mesmo revogasse o termo de concessão que seria dado ao Governo do Estado para o início das obras do VLT no município. “O prefeito de Campina Grande [Romero Rodrigues] foi até o presidente e pediu para que ele ligasse para o ministro e suspendesse esse documento que iria para o Estado e fosse para a Prefeitura”, afirmou.

João disse que o Estado já tinha o projeto, os recursos e os técnicos qualificados para o início da obra e pediu que, se Romero já dispõe das mesmas condições, que anuncie e dê partida à obra – que foi projetada pelo Governo do Estado para atender os moradores do Aluízio Campos, que está em vias de ser inaugurado.

“Que implemente. Se o prefeito de Campina Grande disser que tem o dinheiro para fazer, como o Estado tem, diga, anuncie e inicie a obra. Não tem problema de disputa política comigo jamais. Agora se ele não fizer até a data que deixar a prefeitura, o Estado vai lá, refaz o projeto e executa a obra porque nós temos compromisso com o povo de Campina Grande que eu assumi durante a campanha e eu não preciso de recursos do Governo Federal, porque já temos. Se fizer, eu vou aplaudir; se não fizer, vamos lá e fazemos”, concluiu.